“No início grande parte das pessoas se preocupava com o essencial..
Com o tempo passaram a se preocupar com o útil, depois
com o agradável e, finalmente, com o luxo.
O problema é que, com tanto luxo, esqueceram o essencial.”
Giambattista Vico – século XVIII
Nosso dia-a-dia parece cada vez mais repleto de supérfluos e complicações.Provavelmente isto ocorre porque não sabemos ou podemos (como sociedade) construir o fundamental, aquilo que, no final das contas, sobraria após um terremoto destruir a própria escala Richter.
Certamente é mais fácil atuar em sintomas do que analisar causas. É menos penoso atuar na superfície do que em certas profundidades e, algumas, assustam mesmo.
Em nosso mundo de tecnologias naturalmente isto acontece. Por exemplo: somos assolados por tsunamis de novidades que a tudo envelhecem em poucos segundos. Mesmo sem agregar qualquer valor, muitas destas novidades se autodenominam – perigosamente – de “inovações”.
Certamente precisamos resgatar algumas obviedades. Priorizar o “por que” e o “para que” em relação ao “o que” e ao “como”.
Inovar certamente inclui “simplesmente” fazer aquilo que já estamos sem cabelos de saber que precisa ser feito: em nossas casas, em nossas organizações e em nós mesmos. Tem uma letra de música que canta: “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”.
Lembrando que genial é simplificar e burrice é complicar, saliente-se que fazer simples é muito difícil.
Estamos esquecendo algumas coisas óbvias? Estamos embaralhando a pirâmide de Maslow (ou seria um triângulo)? Não temos respostas para perguntas simples? Tudo é difícil de explicar? Não há tempo?
As dificuldades de “fazer acontecer” geram teorias e muitas ”novidades” transformadas em produtos, serviços, metodologias etc. Elas proporcionam novos pontos de partida sem que antes se tenha chegado a parte alguma. Eternos recomeços parecem mais atrativos do que construir e concluir alguma coisa
Certamente é possível determinar objetivos adequados e fazer o que precisa e merece ser feito após priorizá-los.
Mas é bom lembrar que isto envolve pessoas (lembram delas?) e é aí que a coisa se complica. Humanos não são entes binários, previsíveis, padronizáveis e as suas interações deveriam gerar mais resultantes positivas do que tantos destroços.
Não há respostas fáceis para perguntas simples mas, certamente, há processos permanentes para esta busca.
Pessoas trabalhando motivadas, alinhadas, com suas individualidades valorizadas mas,sobretudo, visceralmente envolvidas com os objetivos de seus grupos são um dos requisitos indispensáveis para que estórias tenham “finais felizes” ou, sendo mais realista: “caminhos felizes”.
Isto é óbvio, tão óbvio quanto esquecido.
O objetivo deste artigo? “Simplesmente” tentar, como dizem, provocar alguns “insights”.