Profissional multidisciplinar deve ter pensamento estratégico e analítico Maria Carolina Nomura, iG São Paulo.
O terremoto financeiro que abalou o mercado internacional no ano passado evidenciou uma profissão que ocupa, cada vez mais, uma posição estratégica no cenário empresarial: a de inteligência de mercado (IM).
“A informação transformada em conhecimento tem gerado resultados superiores nas empresas que utilizam esta prática. São essas comparações que influenciam as companhias a adotarem práticas estruturadas que dependem de profissionais qualificados para executarem e gerirem estes processos”, explica Robson Alberoni, presidente do Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado (Ibramerc).
Segundo Alberoni, a busca por profissionais do setor aumentou muito nos últimos quatro anos, especialmente no período pós-crise.
A empresa Inteligência de Negócios, uma das representantes do QlikView no Brasil, por exemplo, teve um aumento de 6% em seu faturamento no ano passado por disponibilizar ao mercado o conceito de “Business Intelligence” (inteligência de negócios, em inglês), ferramenta que soma tecnologia e metodologia de trabalho.
Concorrência - Para Renato Borgheresi, coordenador acadêmico do curso de inteligência de mercado da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a competição entre as empresas está mais qualificada, o que demanda informações de mais qualidade.
“O profissional deverá analisar os possíveis movimentos da concorrência e ter a capacidade de traçar cenários alternativos e os riscos que esses cenários trarão para a companhia, sem ‘achismos’”, aponta.
Perfil - Para ter sucesso nessa área, Alberoni enumera que o profissional deve ter três características principais: lógica – capacidade para ligar os fatos; curiosidade – capacidade de investigar fatos não relacionados entre si e ética – fazer as coisas dentro dos valores pessoais e profissionais.
“A formação não é primordial, pois todos nós podemos desenvolver esses atributos. O importante é a pessoa ser autodidata para que possa aprender e desaprender continuamente”, afirma.
Borgheresi acrescenta que um curso de especialização também pode ajudar na formação desse profissional, uma vez que a atividade que desenvolve não se restringe à pesquisa e análise de informações.